A
importância do letramento estatístico no cotidiano do cidadão
Raimundo Barbosa Brandão1
José de J. Sousa Lemos2
Francisco Barbosa Brandão3
Sendo a Estatística um
conjunto de métodos utilizado para o planejamento de estudos e experimentos,
coleta, organização, analise, interpretação e auxilio para as tomadas de
decisão, a sua relevância pode ser observada pelo seu uso em organizações
governamentais e não governamentais, onde instituições financeiras, econômicas
e sociais necessitam de conhecimentos Estatísticos do mais elementar ao nível
mais avançado, para que cidadãos comuns e profissionais em geral possam tomar
decisões com fundamentos técnicos e científicos com certa margem de segurança.
O papel da Estatística
nos últimos anos atingiu uma importância significativa para o desenvolvimento
social e econômico. Instituições de pesquisa são criadas com fins específicos
de atender as demandas de
coleta, análise e interpretação de dados, para fins de planejamento. Vale
realçar o papel do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE que, de
acordo com seu estatuto, tem como missão
retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade
e ao exercício da cidadania, por meio da produção, análise, pesquisa e
disseminação de informações de natureza estatística- demográfica e
socioeconômica, e geocientífica-geográfica, cartográfica, geodésica e ambiental.
O IBGE, portanto, constitui-se no maior órgão de coleta, organização e
análise de dados do Brasil, atendendo, assim, demandas de informações oficiais
como os governos Federal, Estadual e Municipal, bem como a sociedade em geral.
Observa-se ainda que o IBGE, no desempenho de suas funções, oferece uma
visão ampla, completa e atualizada do país, dentre outras questões, na produção
de informações Estatísticas, na coordenação e consolidação destas informações e
na coordenação dos sistemas estatísticos e cartográficos.
Em nível internacional, a Associação Internacional para a Educação
Estatística (IASE), em suas ações pelo mundo, procura promover, apoiar e
melhorar a Educação Estatística em todos os níveis, além de
estimular a cooperação internacional, a discussão e pesquisa, disseminando
ideias, estratégias, materiais e informações através de publicações e
conferências internacionais.
________________
1Doutor
em Educação Matemática e Professor Adjunto I da Universidade Estadual do
Maranhão
2Doutor em economia,
Pós-Doutor em economia dos recursos naturais e Professor Associado IV na
Universidade Federal do Ceará
Pode-se notar que, de acordo com o exposto, a Estatística tem uma
aplicabilidade muito vasta na utilização de dados experimentais e contribui
para o desenvolvimento cientifico. Portanto, na atualidade, a necessidade
de conhecimentos estatísticos incrementa-se para as
pessoas em geral, a fim de possibilitar uma melhor compreensão dos fenômenos da
natureza, sociais e tomadas de decisão.
Pimenta, (2009) destaca a grande necessidade dos adultos, numa sociedade
industrial, estarem capacitados (alfabetizados) estatisticamente para analisar
e avaliar criticamente a informação, oriunda da organização de dados que os
indivíduos podem encontrar em diversos contextos, e discutir e comunicar as
suas concepções em relação a essas informações quando forem relevantes.
Diante da necessidade do cidadão e dos profissionais em geral, em
domínios de conhecimentos estatísticos para decidir no cotidiano, alguns países
introduziram o ensino deste conteúdo nos currículos escolares.
Encontra-se em Lopes (2008) que não basta o cidadão entender
porcentagens expostas em índices estatísticos, como as taxas de desenvolvimento
populacional, de inflação ou desemprego, é necessário que o mesmo saiba
analisar e relacionar criticamente os dados apresentados, analisando,
interpretando, comparando e tirando conclusões.
Carzola e Castro (2008) discorrem sobre a representação gráfica devido à
sua eficiência na transmissão das informações, por serem visualmente mais
prazerosa e amena na percepção e raciocínio das pessoas, mas advertem sobre as
contradições existentes no recebimento das informações em pesquisas com
fundamentação observacional, experimental e estatística, cujos resultados, às
vezes, não são compreendidos em função de serem divulgadas apenas conclusões de
forma incompletas, descontextualizadas e distorcidas, mal compreendidas que
induzem as pessoas a tomarem decisão de forma equivocadas.
Neste ponto, é preciso compreender
que a maioria das informações provenientes de levantamentos estatísticos, na
busca de estimar tendências e parâmetros, tem por base uma amostra, a partir da
qual os parâmetros são estimados. Logo, as inferências obtidas, com base em
dados amostrais, estão sujeitas a erros provenientes da própria amostragem.
Também, deve-se compreender que, nos
casos de pesquisas de opinião pública, por trás de toda informação veiculada
pela mídia, existe um patrocinador, alguém que pagou pela pesquisa e que,
portanto, coloca em dúvida a
neutralidade e, em certa medida, a
fidedignidade dos resultados exibidos em tais investigações. (CARZOLA e CASTRO,
2008, p. 47)
Entende-se, desta forma, a extrema necessidade de que
as pessoas comuns possam detectar algum conhecimento em Estatística para o
exercício da cidadania, pois, conforme Dallari (1998), a cidadania consiste nas
possibilidades do indivíduo de participar ativamente da vida do governo e sua
população, inserindo-o na vida social, e da tomada de decisões.
Numa
sociedade onde o cidadão, a todo instante, é bombardeado com uma gama muito
grande de informações e, neste caso, ele precisa de conhecimentos e habilidades
básica para saber analisar, interpretar e compreender estas informações para
tomadas de decisão no seu cotidiano. Uma habilidade fundamental para o cidadão
interpretar e avaliar, de forma crítica, as informações é o letramento
estatístico que é dado a elas.
O
indivíduo “letrado” estatisticamente necessita ainda de habilidades de
comunicação para expressar suas opiniões e tomadas de decisões baseadas na
adequada compreensão da analise dos dados. De acordo com Batanero, Burrill e
Reading (2011) letramento estatístico vai além da aplicação da estatística de
maneira mecânica, mas se constitui na habilidade de ler e interpretar dados de
forma critica. O uso adequado dos conhecimentos estatísticos é de utilidade em
argumentos do cotidiano do cidadão comum, dos estudantes dos diversos níveis de
ensino e dos profissionais em geral. Para Gal (2002) para uma pessoa adulta que
vive numa sociedade industrial, o letramento estatístico é definido como: a)
competência da pessoa para interpretar e avaliar criticamente a informação estatística,
os argumentos relacionados aos dados ou aos fenômenos estocásticos, que podem
se apresentar em qualquer contexto e, quando relevante, b) competência da
pessoa para discutir ou comunicar suas reações para tais informações
estatísticas, tais como seus entendimentos do significado da informação, suas
opiniões sobre as implicações desta informação ou suas considerações acerca da
aceitação das conclusões fornecidas (GAL,2002, p. 2-3). Há pessoas que se
colocam em extremos opostos quanto às pesquisas estatísticas. Há aqueles que não
acreditam em pesquisas estatísticas por julgarem que a estatística é a arte de
mentir. Enquanto isso, há aqueles que acreditam que as previsões ou tendências
estatísticas são extremamente confiáveis, mesmo desconhecendo alguns conceitos
elementares essênciais à analise e compreensão dos dados.
Em
ambos os pensamentos, as pessoas necessitam de melhor fundamentação para
compreender as informações. Um exemplo bastante conhecido do cidadão brasileiro
são as pesquisas de intenção de voto realizadas em épocas de eleições que
ocorrem a cada dois anos. Para o eleitor avaliar criticamente uma pesquisa com
este tipo de finalidade é preciso compreender diferença entre população e
amostras, tipos de amostragens adequadas à homogeneidade ou heterogeneidade da
população, margem de erro e intervalo de confiança. Os indivíduos compreendendo
estes conceitos fundamentais em estatística terão melhores condições de
compreender as informações e tirar conclusões com mais segurança e tomar
decisões com a menor margem de erro possível.
Referências
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